quinta-feira, 13 de maio de 2010

Luz para poucos

Logo vai escurecer e não veremos nada além na escuridão, não veremos o samba e não seremos Veloso, nem muito menos democratas, cristãos ou sequer comunistas, seremos o que sempre fomos santamarenses sofredores por natureza santamarense.
Aproveitaremos a penumbra para nos orgulharmos de artistas e anões, de fantasmas e casarões, de sermos escravos e de ainda termos barões, afinal esse é o lugar mais brasileiro que existe um paraíso para “descobridores” que vem catequizar a população por alguns reais por semana, população na maioria das vezes culpada pelo seu próprio latrocínio, culpada por desconfiar de todo e qualquer cidadão santamarense que fale, declame ou proteste, talvez por isso amarguemos até hoje o doce sabor do chumbo.
Ao mais longo prazo, criam-se punhados de intelectuais ou aproveitadores (como preferir) que dizem amar nossa cidade em suas músicas, entrevistas ou em seus programas de TV, sensibilizando-se sempre com a condição precária de vida de seus primos, parentes, conterrâneos, ao buzinar de dentro de seus carros. Ao mais curto prazo vemos chegar ao estado de cidade grande a nossa violência, assassinatos, assaltos, furtos, ações policias em vão, ações municipais muito mais em vão, enquanto a população cresce da forma mais desordenada possível e cria-se um decreto para que não se construam casas de taipa.
Em verdade nossa cidade está em um quase eterno coma alcoólico, desde a época dos engenhos, passando pelos alambiques e chegando a idade contemporânea em que há o predomínio dos bares espalhados por toda cidade, olhe e verá as passarelas do álcool, poucas são as ruas em que não existe um bar e onde não existir um bar com certeza vai existir um bêbado.
Chegando a noite cansados de trabalhar, cansados de beber, cansados de ser santamarenses, quase vivos, iremos para nossa casa e amanhã faremos tudo de novamente.

3 comentários:

ROSÁRIO PADILHA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ROSÁRIO PADILHA disse...

Muito bom! Muito bom mesmo! Concordo plenamente. Infelizmente Santo Amaro continua sendo a cidade dos fantasmas, das lembranças, do vazio...Dos oportunistas!
Até quando? Não sabemos!Talvez quando as viseiras caiam ao chão.
Uma cidade que embora tanto sofrimento ainda respira cultura!

Alessandra disse...

Queria conhecer!